A cirurgia do glaucoma evoluiu de forma significativa nas últimas décadas, ampliando as possibilidades de tratamento e permitindo abordagens cada vez mais precisas voltadas à preservação visual.
Dependendo das características da doença, os procedimentos cirúrgicos podem ser utilizados de forma isolada ou em associação a medicamentos e terapias a laser.
O glaucoma permanece sendo uma doença crônica, que exige monitorização contínua e ajustes de conduta sempre que necessário.
01 — Indicação
Quando a cirurgia pode ser considerada
Nem sempre a indicação cirúrgica está relacionada à presença de sintomas ou à percepção de piora visual. Em muitos casos, a decisão é tomada com base na evolução da doença, no comportamento da pressão intraocular, nos exames de acompanhamento e no risco de progressão do glaucoma.
A cirurgia pode passar a integrar o tratamento quando as medidas já utilizadas não são suficientes para alcançar o controle desejado ou quando determinadas características clínicas indicam a necessidade de uma abordagem mais intervencionista.
02 — Resultado esperado do Glaucoma
O que esperar do tratamento cirúrgico
Embora possa representar um passo importante no tratamento, a cirurgia não promove a cura do glaucoma nem recupera perdas visuais já estabelecidas.
Pacientes com diagnósticos semelhantes podem apresentar evoluções distintas após o mesmo procedimento. Essa é uma característica inerente ao glaucoma e faz com que o acompanhamento tenha papel fundamental na busca pelo melhor controle possível da doença.
Em alguns cenários, a cirurgia pode contribuir para a redução da dependência de medicamentos. Em outros, o uso de colírios continua sendo necessário, mesmo diante de uma resposta cirúrgica satisfatória.
Os resultados não são avaliados apenas pela pressão intraocular, mas também pela estabilidade da doença ao longo do tempo.
lista de procedimentos
para o tratamento do glaucoma
Iridotomia com Nd:YAG laser
Procedimento a laser não invasivo, indicado principalmente na prevenção e no tratamento do glaucoma de ângulo fechado, promovendo melhor circulação do humor aquoso e reduzindo o risco de elevação abrupta da pressão intraocular.
Trabeculoplastia seletiva a laser (SLT)
Tratamento que atua sobre a malha trabecular, estimulando o escoamento do humor aquoso e contribuindo para a redução da pressão intraocular de forma segura e eficaz. Atualmente indicado em casos selecionados, inclusive como tratamento inicial da hipertensão ocular.
Ciclofotocoagulação transescleral com laser micropulsado
Técnica avançada que atua na modulação da produção do humor aquoso, indicada para o controle da pressão intraocular, especialmente em casos de glaucomas refratários.
Trabeculectomia
Procedimento cirúrgico tradicional e altamente eficaz, que cria uma nova via de drenagem para o humor aquoso, promovendo o controle da pressão intraocular e a proteção do nervo óptico.
Ciclofotocoagulação endoscópica
Cirurgia de alta precisão que reduz a produção do humor aquoso por meio da visualização direta das estruturas intraoculares, permitindo uma abordagem mais controlada e individualizada.
Implante de drenagem trabecular iStent Infinite
Microimplante minimamente invasivo que favorece o escoamento fisiológico do humor aquoso, auxiliando no controle contínuo da pressão intraocular e na preservação da função visual.
Dúvidas frequentes
Algumas informações importantes sobre a cirurgia de glaucoma foram reunidas nesta seção para oferecer mais clareza, previsibilidade e tranquilidade ao paciente.
A cirurgia cura o glaucoma?
Não. O glaucoma é uma doença crônica e continua exigindo acompanhamento mesmo após a realização de um procedimento cirúrgico. O objetivo do tratamento é controlar a doença e reduzir o risco de progressão da perda visual.
A visão perdida pelo glaucoma pode voltar após a cirurgia?
Não. As lesões já estabelecidas no nervo óptico são irreversíveis. O tratamento busca preservar a visão remanescente e reduzir o risco de comprometimento futuro.
Vou precisar continuar usando colírios após a cirurgia?
A necessidade de medicamentos após a cirurgia varia de acordo com a resposta ao tratamento e as características de cada caso. Em alguns pacientes é possível reduzir a quantidade de colírios utilizados, enquanto em outros pode ser necessário manter parte da medicação para alcançar o controle desejado.
Existe uma cirurgia melhor para todos os pacientes?
Não. Diferentes técnicas possuem indicações, mecanismos de ação e objetivos específicos. A escolha do procedimento mais adequado depende de fatores relacionados à doença, à anatomia ocular e aos objetivos definidos para o tratamento.
Os resultados da cirurgia são permanentes?
Muitos procedimentos podem proporcionar controle duradouro da pressão intraocular. No entanto, a resposta ao tratamento pode variar ao longo do tempo, tornando necessário o acompanhamento regular para avaliar a estabilidade da doença e a necessidade de intervenções adicionais.